O que fazer para evitar o estresse do óleo lubrificante em motores 1.0 turbo?

Os motores 1.0 turbo precisam de óleo lubrificante especial? Sim! Caso contrário, eles podem levar ao estresse um óleo que não seja produzido especificamente para esse tipo de motor. A opinião é de especialistas reunidos pelo Óleo Certo para esclarecer sobre as características do motor turbinado e quais as propriedades que um lubrificante deve ter para realizar as suas funções adequadamente e evitar reações adversas que podem ser danosas ao veículo.

Bernardo Ferreira, membro do Comitê Técnico da Associação Brasileira dos Fabricantes de Aditivos (ABRAFA), diz que a necessidade de um lubrificante diferenciado para os motores turbo com injeção direta (TGDI) se deve ao “ambiente extremamente severo” desse tipo de motor, que opera com maior pressão do cilindro e trabalha em temperaturas mais altas, e também ao design dos motores, que visa maior eficiência energética. Segundo ele, essas condições geram diversos efeitos colaterais que podem ser danosos ao motor, como o Low Speed Pre-Ignition (LSPI), fenômeno que causa a pré-ignição descontrolada do combustível na câmara de combustão, antes da ignição propriamente dita. “Por conta de todas essas condições, esse motor pode, sim, estressar o óleo e, por isso, as tecnologias de alto desempenho são essenciais”, alerta.

Com o aumento do uso de turbocompressores e da injeção direta em muitos dos novos motores, o sistema de lubrificação teve que se adaptar a essa nova realidade, tanto na adoção de novos materiais, quanto no aumento da refrigeração, pontua Fernanda Ribeiro da Silva, Coordenadora de Gestão de Produtos, Divisão de Tecnologia da Iconic (joint venture da Ipiranga e da Chevron). “O sistema de lubrificação não é só responsável por proteger o motor, mas também pela sua refrigeração. Os lubrificantes de menor viscosidade auxiliam nessa função ao mesmo tempo em que protegem os turbocompressores, que também trabalham a alta temperatura, e previnem possíveis problemas decorrentes do advento da injeção direta”, explica.

Para que o óleo pudesse realizar adequadamente as suas funções dentro da “atmosfera brutal” criada pelos motores turbo, a tecnologia da indústria de lubrificantes teve que evoluir, desenvolvendo um produto com uma capacidade maior de limpeza e de proteção, lembra o representante da ABRAFA. “Foram criados aditivos dotados de tecnologia de ponta, a fim de potencializar a eficiência dos lubrificantes e, consequentemente, dos motores”, observa.

Segundo Ferreira, além de evitar o efeito LSPI, os óleos lubrificantes específicos para motores turbo estão aptos, também, para executar com melhor propriedade o controle de oxidação e a proteção antidesgaste inerentes a essa tecnologia.

A gerente de marketing da Mobil, Roberta Maia, concorda que o lubrificante é submetido a uma condição um pouco mais severa quando utilizado em motor 1.0 turbo na comparação com o seu uso em um motor 1.0 básico. “Diante disso, a tendência é a utilização de um lubrificante mais moderno, de maior tecnologia, como os sintéticos”, enfatiza. “Porém não há uma aprovação específica para esse tipo de motor”, ressalta.

Já o representante da ABRAFA cita, por exemplo, que os lubrificantes com a certificação API SN Plus – já disponíveis no mercado brasileiro – e a nova categoria API SP (disponível a partir de maio de 2020) são produtos que ajudam a combater o LSPI e auxiliam no melhor funcionamento do veículo.

O Responsável por Inovação de Powertrain do Groupe PSA, Franck Turkovics, lembra que o mercado brasileiro já dispõe de óleos lubrificantes capazes de atender motores turbo de alto desempenho “com cada vez mais sintonia”. Mas Turkovics enxerga, também, um viés ambiental com o advento dessas duas inovações – o motor turbo e os óleos lubrificantes para esses motores –, pois acredita que tais tecnologias “são ações claras de contribuição da indústria automotiva para a redução das emissões de poluentes”.

Os especialistas lembram que os cuidados e as recomendações para a lubrificação dos motores turbo constam do manual do proprietário. “As montadoras já têm ciência de todos estes acontecimentos, necessidades e severidades e já se movimentaram e atualizaram o manual de seus veículos. O proprietário deve atentar aos procedimentos, intervalos de troca e demais ações para que o seu óleo lubrificante garanta o maior desempenho possível do seu veículo”, reforça Ferreira, da ABRAFA.

Para mais informações sobre o fenômeno LSPI, acesse:

Por Antonio Carlos Teixeira

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